Minha maior riqueza

Qual é minha maior riqueza?

Blog Ademildes Rodrigues

Minha maior riqueza

Em reino nem tão distante havia homem muito inteligente, educado, prestativo, possuidor de um magnetismo intenso capaz de curar as mais variadas moléstias com um simples desejo.

Este homem era herdeiro de um patrimônio imenso de riquezas diversas e todas elas úteis e disponíveis para seu uso imediato.

Por muitos anos ele viveu em seu reino, trabalhando com dedicação, procurando ser o melhor em sua profissão. Enfim, fazendo o que estava acostumado a fazer. Casou-se, teve filhos, netos…

Certo dia, este homem resolveu ousar um pouco mais e decidiu conhecer outros reinos. Passeando ora em um, ora em outro, descobriu um que lhe chamou a atenção e lá ele resolveu viver. Ia dividir seu tempo entre o velho e o novo.

Porém, neste novo ambiente haviam pessoas com habilidades diferentes das que ele estava acostumado a praticar. Ele então começou a ficar incomodado porque não fazia o que os outros faziam.

Ficou um pouco confuso e perguntava: como é possível alguém fazer isso? Eu não consigo ver o que ele está vendo? Também não consigo falar como esta pessoa fala?  Alguém disse sentir um sentimento que não conheço. Como eu, um homem tão experimentado não consigo agir assim?

O herdeiro do patrimônio imenso de riquezas diversas, começou a se sentir inútil naquele ambiente.

Mas, como era um homem inteligente e gostava de prosear, resolveu conversar com um outro herdeiro, também de um patrimônio imenso de riquezas diversas, sobre seu incômodo. O outro herdeiro adorava fazer perguntas e o respondeu, claro com mais questionamentos.

– Sendo você um ser tão experiente e herdeiro de infinitas possibilidades, pode me responder a algumas perguntas, por favor?

– Claro, com certeza.

– Muito bem. Poderia me dizer se no reino onde viveu até o atual momento, todos os moradores eram iguais?

– Não. Cada um tinha suas habilidades.

– E se fossem todos exatamente iguais, seu reino teria sobrevivido a todos os desafios que sofreu?

– Certamente não.

– Você já analisou se seu incômodo neste reino, que te parece interessante para viver, não demonstra um excesso de medo? Ou quem sabe você está com sentimento de inveja daqueles que fazem o que você ainda não consegue fazer? Ou será que por ser tão bom no outro reino, você acha que chegando neste você, em tão pouco espaço de tempo, conseguiria fazer tudo o que os outros estão treinando por anos?

– Você conhece todas as suas habilidades? Sabe o tamanho de sua riqueza?

Ele pensou, pensou, pensou e respondeu: hum, parece que estou exigindo demais de mim. Vou pensar em tudo o que o você me disse sobre o medo, a inveja, em achar que posso tudo o tempo todo, vou pensar também na ansiedade que você não me disse, mas me ocorre que pode ser algo também a se pensar.

O tempo passou, e ele volta àquele antigo morador e diz:

– Você tinha razão. Eu estava querendo atropelar o tempo, estava querendo ser igual aos outros, estava inseguro e com medo de ser rejeitado. Pelo que pude perceber, mesmo no outro reino, o tempo não se atropela, administra.

Mais perguntas foram feitas ao recém-chegado.

– E o que você pretende fazer agora?

– Eu já estou fazendo. Desde a última vez que estive aqui, apliquei a experiência adquirida no outro reino, me coloquei como aprendiz e observador neste, e descobri habilidades que eu não sabia que tinha. Hoje posso afirmar que sou útil. Eu já era, mas não reconhecia, nem valorizava, não sabia qual era minha maior riqueza. A visão estava turva demais para me permitir ver.

– E você pode me dizer como fez estas descobertas?

– Com certeza e muito me alegra compartilhar essa informação. Eu me silenciei e dediquei um tempo a olhar para mim, dediquei outro a observar como os outros faziam e percebi, que eles também tinham medos, insegurança, raiva, mas ainda assim continuavam fazendo.

– Você silenciou?

– Sim, mas não de imediato. Para falar a verdade, no início foi bem desafiador. Mas aos poucos, aceitando um dia de cada vez; com dedicação e persistência consegui calar um pouco o meu intelecto e assim, pude compreender a necessidade do sentir e perceber o que e quem estava à minha volta.

Silenciando foi possível olhar para dentro de mim e fazer contato com minha essência. Estou certo de que posso permanecer neste reino, que sou útil aqui com o que tenho e posso ser, a todo instante, melhor naquilo que sou melhor agora.

E digo mais: neste período de quietude resolvi ler um pouco. Um certo senhor chamado Paulo, fez uma comparação muito interessante. Você tem um tempo para eu te contar?

– Tenho sim.

– Resumindo ele disse mais ou menos assim: o corpo não é um só membro, mas muitos. Achei sensacional essa analogia. 

Ele continua

Se o pé disser: porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? E se a orelha disser: porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?

Desta forma, compreendi que estava querendo ser um órgão, mas na verdade eu era outro. E mais, a maior riqueza de um reino é sua diversidade. E você não vai acreditar: eu sou um reino.

Após ter feito as reflexões e tirar suas conclusões, o homem pode, enfim, continuar sua jornada rumo ao infinito com sua herança de riquezas infinitas.

Ah! O certo senhor chamado Paulo, é Paulo de Tarso em I coríntios 12: 14-17

Ademildes Rodrigues

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Ademildes Rodrigues

Terapeuta de Consciência - Professora de Apometria e Magnetismo, Practitioner em PNL, Hipnoterapeuta, Facilitadora de Barras de Access, Mestre em Reiki

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